IrreveЯsível

infinit(esimal)mente… cada fôlego.

Archive for July, 2006

Aborto

Posted by P.R.Lobo on Mon July 31, 2006

Não quero criar mais nada…
Que esteja fadado a morrer.
Viver a vida nascer… para secar, chorando.
Lágrima por vez…
Fôlego por vez… Como dói!
Por nada, não! Chega!
Desde quando agonia vale a pena?
Agonia não é fim.
De que vale este princípio?
Sabe que tua semente é infértil? Afasta-te!
Leva teu placebo.
Meu peito já está cru o suficiente.
Não tem verdade…
Deixa latente, que a promessa vale mais.
Minha vida não é estéril.
O que passa por mim… não passa, fica.
Estou cansado de germinar mentiras…
E parir perdas.

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Anomalia

Posted by P.R.Lobo on Sun July 30, 2006

Quanto mais eu me afasto daquela hora…
Mais prefiro a alternativa a viver assim…
Eu deveria ter partido há muito tempo.
É o que cabe a quem não tem nenhum lugar…
Em lugar algum.

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Esdrúxulos

Posted by P.R.Lobo on Sat July 29, 2006

Sempre voltamos… sempre é desfeito.
Danação… esforço incessante.
Esta é a pena por tentármos escapar do abismo escuro.
Viemos lá de baixo, mas ainda não subimos pelas suas bordas.
Quando caimos é que lembramos o que somos.
Vivemos tanto tempo nesta penumbra que nos esquecemos de nossa essência cega e surda.
De onde viemos o tempo é único e o espaço é curto.
Nem precisávamos de um eu.
Achamos que é nosso o que nos foi dado.
Não. Nada nos foi dado. E nós o atiramos fora.
Apavorados, nos quebramos dele.
Alminhas… nem sabemos o que desejamos.
Apenas alguns percebem o sentido…
São os únicos que compreendem o que são…
E, desesperadamente agarrados à parede, realizam-se em sua futilidade existencial.
De toda esta infinidade de criaturas do inútil, estamos na frente.
Bem no meio do palco, representando a mais despropositada das tragédias.

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Títeres

Posted by P.R.Lobo on Fri July 28, 2006

Tem lugares que já pisei que apenas meus tênis sabem.
Já estive tão deturpado, tão fora de quem sou realmente…
Que, mesmo que tenha voltado, nunca mais serei o mesmo.
Carrego muitas cicatrizes… e, agora, caminho lentamente.
Engraçado como estes cortes pesam, deveríamos ficar mais leves.
Talvez, eles sejam apenas a ponta de uma amarra.
Talvez, sempre fique um pouco de nós por onde passamos…
Como uma âncora.
E, na verdade, nunca deixemos as vielas do passado.
Por mais que tentemos escapar,
as âncoras estão sempre a nos puxar de volta.
Só depois de muito tempo alguma pode vir a arrebentar.
Não por nossa vontade, mas por outra amarra
fazendo tensão em sentido contrário.
No fim das contas, porém, as mais fortes são as mais antigas.
E são elas que acabam delineando as nossas vidas…

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Brinquedo Velho

Posted by P.R.Lobo on Thu July 27, 2006

É, ele fica lá, jogado.
Não, nem nos importamos se está sujo ou quebrado.
Apenas o atiramos ao canto, para que não atrapalhe em nosso caminho e o deixamos.
Também não nos incomodamos em jogá-lo fora.
Para quê? Preguiça. É chato.
Além disso, pode servir para alguma coisa qualquer como calço de mesa, escora de porta…
Peso de papel não, porque pode sujar.
Quando nos lembrármos do espaço que ele desperdiça, aí sim.
Ou, se fôr o caso, podemos dá-lo para alguém que precise.
Se bem que eu acho difícil alguém precisar disto.
O que sente ou pensa?
Nunca me ocorreu que pudesse fazer isto.
Ah, sei lá!… Não tem a menor importância.
Bem, no fim das contas, acabamos por colocar algo na frente.
E, ele fica por aí mesmo, esquecido.
Até, quem sabe, um dia de faxina.

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Hora de Voltar

Posted by P.R.Lobo on Wed July 26, 2006

Já me afastei demais.
Está na hora de retornar.
É prazeroso flutuar em fantasia.
Aqui, presente e futuro são apenas lembranças.
Dentro do agora, respiramos e sentimos o ímpeto de ser.
A noite e o dia divertem-nos.
Revezam-se caprichosamente para que não nos enfastiemos.
Ah!, é fantástico ser livre.
Arrebatado pela vida… eternamente.
Como uma risada que nunca acaba.
Mas sou finito. Sou mortal.
Preciso descer, de volta à realidade.
Quanto mais tempo passo aqui, mais eu me perco.
Esqueço de mim mesmo, diluindo-me no mundo.
E se eu esquecer-me completamente…
Ninguém vai lembrar ao mundo de mim.

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Sombras

Posted by P.R.Lobo on Tue July 25, 2006

Nem ao menos os nomeamos… não podemos.
Não os enxergamos ou ouvimos,
Sua presença apenas se insinua.
Tão nítidos quanto a escuridão da noite.
Tão difusos quanto a luz que nos aquece.
Nunca nos perdem de vista, onde quer que nós vamos.
Estão lá, aqui e aí também.
Não importa o quão rápido sejamos, nunca conseguiremos ver…
Se é um olhar de muitos ou muitos olhares de um.

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Santo de Barro

Posted by P.R.Lobo on Mon July 24, 2006

Cai anjo depenado.
Quem disse que poderias voar?
Criatura ardilosa, enganadora.
Enganaste a ti mesmo, agora cai.
É justo.
Teu fado por tentar roubar o que é nosso.
Queima-te no fogo do céu.
Nunca alcançarás o paraíso.
Tu não pertences a ele.
Quadrúpede de pé!
A queda é o mais longe que te afastarás do chão.
Contenta-te com teu charco.
A pureza não se mistura com a lama.
Mas, não aprendes.
Depois de estirado, saltas de novo.
Decadência, esta é tua natureza.

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Partido

Posted by P.R.Lobo on Sun July 23, 2006

Ah! Até quando isso vai durar?!
Que insuportável!
Não sei se aguento…
Não sei se aguento até não ter que pagar um preço por tudo.
Quando não sabemos se aguentamos, é porque não aguentamos mais.
Que massacre!
Até para não pagar é preciso pagar.
Eu quero a divindade! Mais que tudo!
Já não suporto mais a minha própria humanidade.
Oh! E como é possível ser mais humano que isso?!
Deus pertence a mim… e me foi negado…
Ele, Ele, não tinha este direito… apenas eu tenho!
E reclamo-O para mim… em mim!
Ah! Não quero mais ser partido!
Não posso mais…

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Coroa de Espinhos

Posted by P.R.Lobo on Fri July 21, 2006

Mas onde me colocam estes princípios?!
Caramba! Completamente exposto, aberto.
É uma casa cheia de goteiras…
Em terreno enlameado.
Tentamos construir nossas vidas do alto.
Partindo de conceitos puros e superiores…
Nossa! Quão satisfeitos ficamos.
Regozijados por nossa austeridade dourada.
Crianças manhosas que só querem colo.
Nossos pais nos ensinaram bem.
Aprendemos com eles a fugir do chão.
Caminhar machuca os pés.
Mas, é assim que os calos nascem.
Que calos?! Nossos belos pés têm pele fina.
É mais bonito uma coroa do que uma sandália.
O fisiológico é tão desagradável e cansativo.

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