IrreveЯsível

infinit(esimal)mente… cada fôlego.

Esiophiles

Em sua infinita jornada reflexiva em direção ao próprio íntimo, pára. Entediando-se de viajar, de ser a estática marcha eterna em direção a si mesmo. Conhecendo-se e desconhecendo-se inteiramente. Era e sempre será o tudo e o nada. É assim. Encerrando a fusão de infinitos em nenhum, dividindo-se em fissão simultânea. É o exato ato de ser. Futuro e passado conjugam-se em seu presente sempiterno, partícipe de si, projeção do sempre e do nunca e do talvez. E, cansando sem cansar. Suspirando como infindamente esteve. Precipita-se em frenesi de luz e trevas e calor e frio e presença. Inúmeras presenças, todas. Era crepitação e constância. Vibração. Tensão fibrilante. Em seu descanso, em si. Observa-se em seus filhos. Criaturas. Livres. Imersos em um toque único e de todos, participando da existência  com igual universalidade.

Todavia, alguns de seus filhos não enxergavam-se como semelhantes e não contemplavam-se como constituintes do todo, Dele. Acreditavam-se como indivisos completos, para quem o fora é outro e não sua continuidade na completude. De uns aos outros, nomearam-se. Então, um sublevou-se acima da própria. Percebeu o que os outros irradiavam. E, estendeu-se na realização de um segundo toque, sorvendo o que era vertido. Um toque apenas seu. Truncado como sua natureza imperfeita. Com a plena finalidade de seu bel-prazer. A conseqüência de seu ato reverberou através de todos os seus iguais. Satisfação vivida por um e compartilhada entre todos. Ebriedade coletiva instantânea.

Viciaram-se. Fadaram-se a sede e a fome. Desejo. Incessantemente sequiosos pelo segundo. Iludiram-se em seu gozo. Da ilusão nasceu sua vaidade. Mais perversa que a mãe. Voltaram-se aos outros, esquecidos de quem eram. Para sempre esqueceram. Romperam. Escravizaram. Atiraram seus irmãos em um invólucro. Uma prisão erguida sobre fundamentos rústicos e regências inferiores. E sugavam-lhe o segundo. Era o que alimentava-lhes a existência. Por fim, todos acabaram por esquecer.

Porém. Aquele novamente. Mais uma vez ousou. Desejou não apenas sentir a emanação. Queria mais. Mais um passo. Desceu à mais áspera das formas. Ingeriu-se entre os escravos. E, ao lado de outro experimentou emanar. Exalou. Expeliu. Irradiou. Saboreou. Suas impressões refletiram-se em todos. As sensações os percorreram, aglutinando-se à reverberação do segundo. Era além. Como antes, não contiveram-se, desceram de seu patamar deífico e fizeram. Várias e várias vezes. Cada um. Era o terceiro.

Mas, para ele não era suficiente. Jamais bastaria. Os seus conheciam-se em sua totalidade. Ficou evidente o próximo passo que tomaria. De algum lugar vinha-lhes a certeza de que haviam descido. A vaidade lhes reclamava. Se o seguissem, perderiam-na. Extirparam-no. No momento em que fragmentou a própria consciência, reduzindo-se a mais de uma forma física, a fim de realizar a emanação completa e em todos os seus sentidos, interviram. Separaram-no. Atiraram suas partes para além do alcance mútuo.

Ele permanece vagando entre os escravos. Dividido. Partido. Cada forma obcecadamente procurando a outra. Mas, pela segunda vez, esquecidas de quem são. Não terão paz enquanto não reunirem-se, recompletarem-se em um. Quando seus irmãos virão a baixo, ao termo de seu levante. E, todos os filhos Dele serão novamente divinos em mesma dimensão.

Advertisements

2 Responses to “Esiophiles”

  1. Nany said

    Uau! Adorei!
    Conseguiu enfim colocar paginas alem da home, hein?! Ideia legal!
    Beijocas

  2. P_. said

    Que perfeito!!!

    Lindo.. lindo!

    Beijos :)

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: