IrreveЯsível

infinit(esimal)mente… cada fôlego.

Archive for September, 2006

Acostumados

Posted by P.R.Lobo on Sat September 30, 2006

Nós nos acostumamos…
Ou o tempo que devagar…
Bem devagar…
Consome…
O que não cabe agora…
Que é só nosso…
Mas que não deve…
E dói…
Que não queremos mais…
Rejeitamos logo…
Entregamos rápido…
Até que a dor vai junto…
E esquecemos…
Tantas vezes…
Que esquecemos…
Do que é se acostumar…
Do que não é…?

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Formatado

Posted by P.R.Lobo on Fri September 29, 2006

Nunca foi dono…
Do próprio querer.
Filho da condição…
Herdeiro…
Obedece a ordem estabelecida…
E segue…
Para onde deve…
Como tem que ser.
Quando não fôr…
A marreta desce…
Encaixa no molde.
Se quebrar…
Vem outro…
A família é grande.

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Irreversível

Posted by P.R.Lobo on Thu September 28, 2006

Onde estão…
As coisas que deixou soltas…
Que um dia pretende voltar para buscar?
O que há tanto tempo…
Espera para viver…
A cada segundo…
Mais longe.
Encare…
Não adianta fechar os olhos…
Guardar para o depois…
Os instantes que não vê…
Não voltam com o nascer do sol.
Você está passando…
É finito…
Inexoravelmente deixa de ser.
O que chama de vida…
Coleção de pequenas mortes instantâneas…
Fôlegos infinitesimais…
Definitivos…
A cada um, menos um…
Cresce a falta que pergunta…
Cada vez mais alto…
O que sempre tenta esquecer:
Se acabar daqui a pouco…
Quando acabar…
Terá valido a pena?

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Vendado

Posted by P.R.Lobo on Wed September 27, 2006

Esse tempo todo…
Buscando a satisfação…
De estar consigo mesmo.
Ganhou um eu…
E não sabe o que fazer com ele.
Não aprendeu a ser…
E tenta embrulhá-lo…
No meio da aparência…
Escondê-lo.
Mas é tecido efêmero…
Sempre rasga…
E volta à inconveniência de si.
Envolto em tantos trapos…
Segue trôpego…
E não percebe…
Que ao invés de fazer tantos embrulhos…
Precisa, sim, desfazer apenas um…
Que fica por dentro…
E nunca rasga.

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Decepção

Posted by P.R.Lobo on Tue September 26, 2006

De todas as pequenas mortes que vivi…
Você me trouxe a mais dolorosa e lenta.
Anos esperando que você visse…
Mas, quando acariciou o meu rosto…
E afundou minha cabeça…
Fui eu que vi.
Você não é quem eu esperava…
Quem espero.
Agora não importa mais.
Estou calado… mortos não falam.
O sussurro que ainda escuto…
Sei que é mentira, é eco…
Mágoa simplesmente.
Você também morreu…
Quando me afogou.

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Adestradores

Posted by P.R.Lobo on Mon September 25, 2006

Todo este circo armado…
Para domar a fera.
Enjaulada…
Adestrada…
Recebe a recompensa.
Um pedaço por vez…
Que nós mesmos arrancamos e atiramos.

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Deserto

Posted by P.R.Lobo on Sun September 24, 2006

Apenas aceita.
Tudo o que tem…
Não foi buscar.
O mundo jogou na margem…
Insatisfeito, conformou-se.
Sentado, esperando…
Encontrar, acontecer…
Um valor… algum valor…
Que nunca foi buscar.
Fez isto a vida inteira…
Que só aconteceu de ser assim.

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Submergindo

Posted by P.R.Lobo on Sat September 23, 2006

E as coisas se levantam…
E me encobrem.
Empurrado…
Sem mover um músculo…
Submetido.
Vou a pique…
Cada vez mais fundo…
No peito…
Uma disposição que só ensaia…
Incha e pesa estagnada.
Morto-vivo.
O mundo cresceu…
Eu diminuí.
Agora tudo é cansativo.
Maior… difícil de chegar.
Largo e desço.
Vontade de parar…
Mas nunca param!

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Desabitante

Posted by P.R.Lobo on Fri September 22, 2006

Queria estar bem longe…
De olhos bem abertos…
Atravessando o céu ensolarado…
No meio de uma gargalhada.
Retraido aqui…
No seio da apatia…
Sonolento de visão fosca…
Procuro no vazio…
Ansioso pela abertura…
Que apenas se aproxima…
E nunca chega.

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Passante

Posted by P.R.Lobo on Thu September 21, 2006

De volta a pé…
A hora mais agradável.
Anda pelas ruas…
Sem nada ver.
Só rostos esbouçados…
Em vultos borrados.
Caminha sem tempo…
No meio das luzes.
Flutua por dentro…
E nem sente o chão.
Segue assim…
Sombra catatônica.

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