Vai acordar amanhã…
Para o mesmo dia que viveu hoje.
Pessoinha sempre a esperar…
Já espera há tanto tempo.
Sonha acordado sem parar…
Mas é um pesadelo.
Quando acaba esta vida que não quer?
Vai envelhecer…
E ainda vai sentir.
Vai se olhar no espelho enrugado…
E descobrir que nada mudou…
A não ser o tempo que não tem mais.
Archive for August, 2006
Letárgico
Posted by P.R.Lobo on Thu August 31, 2006
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Evitável(?)
Posted by P.R.Lobo on Wed August 30, 2006
Pise com cuidado na corda bamba.
Pode não parecer, mas ela está aí…
Bem debaixo dos seus pés…
Balançando sem parar.
Mais difícil ainda de ver…
É a queda que o espreita.
Escondida nos cantos dos olhos…
Ela apenas se insinua…
E nunca dá certeza.
Não hesite…
Não se engane…
Ela é ardilosa…
Só vai se mostrar bem de pertinho…
Quando o abraçar.
Então, dela será seu mundo…
Carinhosamente…
Caindo colo abaixo.
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Indiviso
Posted by P.R.Lobo on Tue August 29, 2006
Levantar e partir…
Desta vida descartável.
O rosto se perdeu por trás da máscara.
Num cotidiano de eus homologados.
Meu nome é convenção.
É permitido permanecer àquele que se aniquila.
Vende seu tempo…
Escamba com viver…
E continua…?
Meu sou já ficou para trás há muito tempo.
Fraco de fome… agoniza por aí.
Aflição que não tem mais lugar…
Engulo.
Mas, às vezes, ela sobe de volta.
Corrói minha garganta…
Afoga minha voz.
Levantar e partir…
Engulo de novo.
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Nadificado
Posted by P.R.Lobo on Mon August 28, 2006
Ser só…
Solto…
Basta…
Só ser…
Nada é preciso…
Mas, não quero nada querer…
O bastante já foi…
Do fundo passou…
Preciso ser, sim, ser preciso…
Saudade de ser com…
Junto com ser…
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Afásico
Posted by P.R.Lobo on Sun August 27, 2006
Quanto ainda vai deixar de viver…
Por não se colocar pra fora?
Sepultado vivo…
Na própria boca…
Sufoca em si.
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Auto-outro
Posted by P.R.Lobo on Sat August 26, 2006
Está diferente…
Já não sei o que faço.
E o que falo, não sei por quê.
Tudo solto, boiando.
As coisas vão acontecendo.
E vou junto… derivante.
Não, eu que flutuo.
Meu corpo responde, ele prossegue procedente.
As pernas andam…
A cabeça olha e fala.
De onde?!
De quem vêm estes modos?
Onde está que não sei?
Lá onde não posso ver…
Uma curva infinitesimal…
Coloca-me de cara.
Bem de frente, deparo-me comigo…
Com o que diz: sou eu.
E me estranho.
Que voz é esta?…
Este eu…
Não conheço.
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Solitário Anfitrião
Posted by P.R.Lobo on Fri August 25, 2006
Tenho medo de pedir…
Para levar embora estes anos…
Que nada trazem.
Só ocupam.
E não partem. Pendurados.
Eu peso em espera.
Longa. Longa.
Arrastando os chinelos.
De um cômodo pro outro.
Cada um deles tão abarrotado.
Nem consigo chegar à janela.
Tantos dias que andam lá fora…
Acompanhados, escuto-os conversando.
Mas apenas estes anos entram pela porta…
E sentam aqui… em silêncio.
Tenho medo de pedir para levá-los…
E você responder…
Que agora eles são tudo o que tenho.
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Cabra Cega
Posted by P.R.Lobo on Thu August 24, 2006
Coisa mais dificil de enxergar.
Anda sem olhar pro chão.
Cabeça virada para cima.
Pensa que voa.
No primeiro buraco, despenca.
No próximo também.
E, assim, segue, aos tropeções…
Sem saber para onde vai.
Bobo ridente de língua de fora.
Você inspira pena…
Pena canina… pateta.
Ainda espera chegar…
Aonde pensa que quer.
Acha que vai…
Como?!
Caminhar, não sabe.
Quer pular.
Calmamente, o chão espera…
A ele você sempre chega.
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Perseverante
Posted by P.R.Lobo on Wed August 23, 2006
Tanto tempo deseja…
Mas, quando está de cara…
Estanca?!
Vai, dá a volta!
Como antes… e antes…
É confortável pisar na própria pegada.
Só que o buraco vai afundando.
Depois não reclama…
Se não alcançar a borda.
Senta no fundo…
Ele é todinho só teu.
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Expungido
Posted by P.R.Lobo on Tue August 22, 2006
Bebeu aquelas lágrimas antes de nascer.
Não deveria, mas aconteceu.
Bebês não devem chorar as lágrimas de suas mães.
Ficam transparentes.
E cada vez mais leves.
Quando crescem, perdem seus corpos.
Evanescem e tornam-se etéreos.
Mas não partem.
Ficam por aqui, andando.
Sem que alguém seja capaz de vê-los claramente.
Por mais que se aproximem, não passam de vultos.
Banidos de seus próprios toques.
Ficam solitários.
Impedidos de pertencerem.
A única coisa que lhes resta, já passou.
Sentam-se quietos nos degraus das escadas, nos bancos das praças…
Por horas a fio, olhando para o passado.
Relembrando a infância.
Quando ainda eram tidos por alguém.
Passam o resto da vida chorando.
Lavando cada vez mais suas almas desbotadas…
Até elas rasgarem.
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